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KADU MOLITERNO KADU MOLITERNO KADU MOLITERNO OS DIRETORES DA ANTIQUEDA, MARCELO KASSARDJIAN,  SONIA NICASTRO E PAULO NOGUEIRA LOPES, JUNTO COM KADU

?Embaixador? do surf na TV brasileira, o ator Kadu Moliterno esteve em Santos nesta terça-feira (dia 20) para falar um pouco sobre a sua trajetória de vida ligada ao esporte. A palestra foi realizada no Meeting de Inverno da surfwear AntiQueda, que está iniciando uma parceria com o ator/surfista, responsável pelo papel de primeiro surfista em novelas brasileiras, em 1978, e também conhecido pela emblemático seriado Armação Ilimitada, em 85, onde protagonizava o personagem Juba.

Aos 56 anos de idade, Kadu é um surfista de alma e todos os dias está no mar. Já esteve 27 vezes no Havaí e, inclusive, morou no arquipélago e seus filhos têm nomes de ilhas locais. No caso de falta de ondas, nada e mergulha. E foi da sua história e também de seu vigor físico que ele falou aos representantes de vendas de todo o País, num bate-papo descontraído. Falou sobre o começo na vida artística e que está totalmente ligado ao surf e também enfatizou a vitalidade após os 50 anos.

Também falou de seus vários projetos, como o livro, intitulado A vida começa aos 50 anos, que será lançado antes do final do semestre, a idéia do longa-metragem, Juba e Lula após 25 anos, a parceria com a AntiQueda, numa linha de roupas e também os produtos de vida saudável, como isotônico, suplemento alimentar, cremes para a pele, levando o seu nome.

?O legado que estou deixando é esse amor pelo esporte, de continuar mantendo uma vida saudável. O importante é envelhecer saudável. Estou terminando o meu livro e o público vai entender melhor como é que foi a minha trajetória, o que é se manter em forma com 56 anos. Muita gente acha que tem 50 anos e morreu.

Animado, ele relembrou o início da carreira e do surf. Foi na novela ?O Pulo do Gato?, em 1978, de Bráulio Pedroso. ?O Walter Avancini (diretor) viu uma peça de teatro que eu estava fazendo, me chamou e falou: eu sei que você é bom ator, mas você pega onda? Eu falei, pego desde moleque, inclusive a minha prancha está no meu carro. Ele respondeu: então está fechado. Daqui a um mês, a gente vai colocar as câmeras na praia e você vai surfar. Mas que nada, eu nunca tinha surfado na vida?, contou.

?Eu, na verdade, fui nadador, fui campeão paulista de natação, fazia ginástica olímpica, jogava futebol, tênis, mas pegar onda, nada. No máximo, pegava jacaré na Praia do Boqueirão, em Praia Grande. Eu saí com aquela mentira da sala e fui para dentro d?água. Passava de seis a oito horas por dia no mar para tentar ficar em pé. Peguei uma prancha emprestada do meu vizinho e em troca eu levava a galera para surfar. Até que um dia eu fiquei em pé, na Joatinga?, falou.

Apesar da rápida experiência, ele ainda não tinha o surf no pé e no dia da gravação o mar estava com um metro e meio, mexido e Kadu não conseguiu pegar uma onda sequer. ?Daí, colocaram um dublê no meu lugar, o André Pitzalis, na época surfista profissional, e eu surfei em cima de uma pedro. A galera vaiou, foi o mico do ano?, disse rindo. ?Mas a partir dali, peguei amor pelo surf e nunca mais parei?, enfatizou.

JUBA – Depois de ser o primeiro surfista da TV brasileira, Kadu foi chamado para vários papéis ligado a esporte e ficou eternizado com o papel de Juba. ?O Armação trouxe o surf para a TV definitivamente. Juba e Lula levantaram essa bandeira do esporte, do amor à ecologia. Isso lá nos anos 80. A partir dali, pressenti que o surf iria atingir esse patamar, porque a gente falava muito para crianças. O Armação fez sucesso primeiro com as crianças, que foram crescendo com amor ao surf?, comentou.

O ator/surfista relacionou o personagem à sua vida. ?Marcou uma geração. Esse seriado foi uma revolução na linguagem da televisão. Ganhou prêmio na Europa. Foi uma idéia muito feliz que nasceu na minha cabeça e do André de Biasi. Todos me ligam ao Juba. Seu eu faço um médico na novela, as pessoas me chamam na rua de Doutor Juba. Eu vou morrer Juba?, relatou.

Kadu falou, com orgulho, que se sente responsável por essa integração do surf na TV e do esporte crescer tanto e chegar a ser tema de novela, Três Irmãs. ?Muita gente me pergunta por que não fui escalado para essa novela, que tem muito surf, mas eu tinha acabado de fazer a novela anterior, a Beleza Pura. De qualquer maneira, fizeram uma homenagem ao Juba e Lula?, argumentou.

FUTURO – Sobre os novos projetos, os mais concretos são o livro e a parceria com a AntiQueda. ?No livro, conto a minha história desde a Copa de 58, quando tinha seis anos e vem até os dias de hoje. Falo dos problemas atuais, minha rotina, os trabalhos, citando curiosidades, bastidores. Tudo o que aconteceu nesses 40 anos de carreira?, explicou.

?Com a AntiQueda, tem tudo para dar certo. As pessoas que estão por trás da marca tem o surf como filosofia de vida?, admitiu. ?Tudo o que plantei nesses 40 anos, estou começando a colher. Por isso que acho que a vida começa aos 50?, complementou o ator, que já está trabalhando nas gravações da nova novela das seis da Globo, Paraíso, de Benedito Rui Barbosa. ?É um remake, que fiz há 27 anos. Serei um dono de bar, italiano?, revelou.

Para ele, o surf é parte diária de sua vida. ?Pego onda todo dia cedinho. Tenho de estar dentro d?água. Meu contato com o mar é essencial para o meu bem-estar?, avisou Kadu, abordando as inovações do esporte. ?O Tow-in é a grande novidade. O futuro são os fundos artificiais, vamos ter piscinas de onda. A molecada já está voando, coisa que na minha época não se imaginava. Mas o espírito é o mesmo, permanece. O surfista de alma vai morrer em cima de uma prancha ou embaixo d?água?, finalizou.

Antiqueda terá homenagem a Kadu em suas roupas
A coleção inverno 2009 da AntiQueda terá parte de sua linha masculina com os tags (etiquetas) das roupas falando da vida de Kadu Moliterno e suas atitudes ligadas ao surf. Segundo o diretor de marketing da marca, Paulo Sérgio Nogueira Lopes, o Paulinho, esta será uma forma de homenagem à pessoa que iniciou e difundiu o surf na televisão. ?Teremos toda uma linha criada, pensada e aprovada por ele, com o seu estilo, mais clean, light, clássica. O surf de alma?, explicou.

?É uma honra ter o Kadu como parceiro, porque ele foi muito importante para o crescimento do surf na grande massa?, acrescentou Paulinho, destacando a sua participação no meeting de inverno. ?A idéia foi passar aos nossos representantes do Brasil todo a essência do surf. Incentivar os nossos profissionais, para que eles multipliquem essa cultura?, argumentou.

Paulinho também lembrou que o objetivo é alavancar as vendas e passar ?batido? pela crise. ?Não falamos em crise, porque é na crise que a gente cresce?, enfatizou

20 ANOS – Marca genuinamente brasileira, santista, a AntiQueda completa 20 anos em 2009. Hoje, a marca está consolidada e investe no surf conta com os patrocínios ao Circuito Petrobras de Surfe Feminino, o único do Mundo exclusivo para as mulheres, e do A Tribuna de Surf Colegial, referência no gênero, desde a sua criação em 1996. Há, também, a equipe de atletas, com a tetracacampeã brasileira Andréa Lopes, o experiente Cristiano Guimarães e o talento da nova geração, Thiago Guimarães. Mais detalhes no site www.antiqueda.com.

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Classificada pela própria surfista como uma união de forças em busca do pentacampeonato, a tetracampeã brasileira de surf profissional, Andréa Lopes, agora faz parte da equipe AntiQueda. A surfwear 100% nacional, que completa 19 anos de história em 2008, investirá na imagem do maior símbolo de vitória do surf feminino brasileiro, apostando em grandes conquistas dentro e fora do mar.

O contrato de patrocínio principal – por dois anos e meio – acaba de ser assinado e Andréa já competirá na 2ª etapa do Super Surf, em Pernambuco, defendendo a nova marca. Ocupando a terceira posição no ranking, ela não esconde que seu grande objetivo é chegar ao penta, superando o seu próprio recorde, sendo a única atleta a acumular tantos títulos no País. Pioneira na categoria e responsável por ?abrir? as portas para o surf feminino na década de 90, ela mostra entusiasmo para novas conquistas.

?Para mim, esse patrocínio foi mais do que um presente. Tenho conhecimento do trabalho da AntiQueda no patrocínio ao Circuito Petrobras Feminino, que é um evento bem conceituado, único no mundo inteiro. Na minha vida fui muito focada nos objetivos, sempre tive um norte seguindo alguma meta e essa oportunidade foi uma injeção de motivação para uma atleta que já é movida a títulos?, frisou.

?Encaro essa parceria como um grande impulso para buscar esse pentacampeonato e fazer todo um trabalho, não só dentro d’água, mas fora do mar, o que acho que todas as atletas deveriam se preocupar também?, acrescentou a atleta de 34 anos e que garantiu o seu primeiro título (Brasileiro Amador) há 20 anos.

Desde então, ela sempre esteve em evidência e garantiu muitas conquistas à categoria. Foi pentacampeã brasileira amadora, é a única tetracampeã brasileira profissional, foi a primeira a ingressar no Circuito Mundial, em 1991, aos 17 anos, e a primeira brasileira a vencer uma etapa do WCT (Rio de Janeiro, em 99). Outro momento de destaque foi a capa da Revista Playboy, em janeiro de 2007.

Para o diretor da AntiQueda, Paulo Sérgio Nogueira Lopes, o Paulinho, a contratação de Andréa é consagração para a empresa. ?É uma realização para qualquer empresa ter uma atleta do porte da Andréa. Ela veio consagrar o nosso trabalho de 19 anos, É a coroa que a gente recebe por ter trabalhado certo?, frisou Paulinho, destacando que a idéia é um trabalho amplo, não só pensando em campeonatos.

?Ela é um exemplo e estamos conversando dela ter uma linha de produtos especializados em surf com a sua assinatura. Então, ela ajudará na aprovação, no design. Vamos priorizar o calendário de competição, mas ela terá participação especial nas nossas ações, como participar dos catálogos de coleções, palestras nos nossos meetings e tardes de autógrafos. A contratação da Andréa vai agregar muito. Ela será a nossa verdadeira piloto de testes?, argumentou.

INVESTIMENTO – Com 19 anos de história, a AntiQueda está presente em 650 pontos de venda em todo o País e também exporta para a Europa (Portugal e Itália) e Japão. A contratação de Andréa reforça a estratégia da marca no investimento na categoria. Pelo quarto ano consecutivo, a AntiQueda é a surfwear oficial do Circuito Petrobras de Surfe Feminino, único exclusivo para mulheres do Mundo.

Além do co-patrocínio ao evento, a empresa inovou, com a realização de uma expression session, bateria sem regras, valendo a manobra mais radical, com R$ 1.000,00 de premiação. Outra ação muito forte da AntiQueda é o patrocínio principal do Circuito A Tribuna de Surf Colegial, desde a sua criação, em 96. O maior e mais tradicional campeonato do gênero já revelou grandes talentos, como Adriano de Souza, o Mineirinho.

?Esta é outra conquista nossa e veio de uma grande idéia do Grupo A Tribuna. O surf colegial acabou com o estigma de outras gerações. Antes existia a descriminação com o surfista. Com este evento, conseguimos colocar o esporte na escola. Hoje, qualquer pai quer dar uma prancha ao seu filho, porque se ele for um bom atleta terá estudos garantidos até a faculdade. Estudará de graça por ser um bom surfista?, destacou Paulinho.

ACOMPANHE ENTREVISTA COM ANDRÉA LOPES:

Com 21 anos de história no surf, Andréa Lopes é um ícone na modalidade. Neste ano, a prioridade é igualar, no profissional, a marca de cinco títulos nacionais conquistados como amadora. Em sua entrevista, a atleta fala de vários momentos de sua carreira, como a exemplar vitória contra a anorexia, quando estava entre as top 16 no Circuito Mundial, e a volta por cima, culminando com a capa da Playboy. Conheça mais dessa surfista exemplar:

Qual a importância de um novo patrocínio neste estágio da sua carreira?

Com certeza essa contratação está entre os cinco ou seis melhores momentos da minha carreira, sem dúvida. Sei que terei suporte. Eu sinto como se juntando duas forças no mesmo objetivo e, principalmente, na meta de mostrar que o surf é um esporte muito rico em saúde, em cultura, em vida. Ganhei uma injeção de motivação e só posso falar que estou muito feliz.

O objetivo é tentar o penta e, mais uma vez, ser pioneira?

Sim, é o pentacampeonato. Quero bater o meu próprio recorde. E essa questão do pioneirismo é bem interessante na minha cabeça, porque a melhor surfista sempre muda. Um ano é uma, outro ano é outra. Só que o pioneirismo ninguém tira de você. Se é o primeiro a lançar algo ou vencer, fica na história e nunca mais perde isso. Então, estamos juntando as forças. A vibe de todos da AntiQueda é muito positiva e quero, realmente, comemorar essa conquista com eles. Além disso, quero fazer outras coisas fora da praia ou do mundo do surf, que possa estar otimizando essa parceria.

No projeto de vida fora do mar, você tem novas idéias, como filme, exposição. Conta um pouco mais.

Eu tenho a minha vida inteira documentada em fotos, entrevistas, imagens, desde gurizinha, e hoje em dia é o maior barato ver. Quando ensino uma menina a surfar, estou revivendo este início e quero, de alguma forma, fazer uma exposição. Não sei se esse ano ou no próximo, mas será num momento chave e quando der no calendário, contando um pouco da minha história, através das fotos, da poesia, porque acho bem legal estar ligando a poesia, uma expressão de arte, ao surf. Será uma exposição pelo Brasil, itinerante. Também tem o meu longa-metragem, que já foi aprovado pela Lei de Incentivo e está bem direcionado. Está até com o Dilert, produtor da Globo Filmes. Não será bem um filme de surf. É um pouco da história do surf feminino contado através da minha história. E ainda tem as palestras que quero retomar em escolas e a idéia e estar participando mais com a galera da AntiQueda, não só em workshops, para estar passando a minha experiência.

A idéia é mostrar o surf para todos?

Eu vivo do surf, respiro o surf e eu amo surfar. Meu trabalho é muito mais do que a competição. É influenciar as pessoas que não surfam a mostrar o life style saudável, o que se pode ter em termos de aprendizado para a vida, o que se pode carregar de bagagem de cultura. Tudo o que o surf colocou na minha casa, na minha vida, eu quero mostrar para a pessoas que não pegam onda e, cada vez mais, desmistificar que é um esporte boa vida, que só fica na praia. Não é! Tem muita coisa por trás para ser uma surfista profissional. Meu objetivo não é só o pentacampeonato. São vários outros e até fora do mundo do surf. É uma mãe falar quero que meu filha seja surfista igual a ela.

Você é conhecida por romper barreiras. Foi campeã muito nova, aos 14 anos, ingressou no Circuito Mundial aos 17, conseguiu vencer a anorexia, dar a volta por cima e ser um ícone do surf. Como é essa garra, essa vontade de sempre se superar?

As palavras são exatamente essas: vontade, garra. A vida é sempre muito cheia de surpresas, de altos e baixos, de momentos em que uma coisa está boa e outra ruim. Mas eu nunca perdi o meu foco e o sentimento que está cada vez mais forte mim é a humildade. O caminho que te leva ao sucesso, a uma coisa plena é um só. Pode ser até sem graça, mas é um só e basta apenas ir caminhando. É preciso caminhar no foco, crescer junto com as pessoas que estão comigo. Quero fidelizar, criar parcerias. Para conquistar, você demora um tempo, até anos, para perder, basta apenas uma atitude.

Foram dois momentos antagônicos na sua vida, a anorexia, que a tirou do Circuito Mundial, e a capa da Playboy, um símbolo da beleza da mulher para muita gente. Como foram essas duas fases?

A anorexia é um momento muito muito estranho. A mulher se esconde. Ela fica totalmente sem curvas, quer viver um mundo diferente, escuro. Ali eu vi que Deus me tirou dali e mostrou que eu tenho muita vida, muita mensagem para passar. Depois de tudo o que passei, consegui sair daquele buraco e vi que tinha muita coisa para viver. E eu sinto que tenho essa missão de passar mensagem de vida, de tocar o coração das pessoas, de falar algo que lá na frente a pessoa vai refletir. E aí veio a Playboy. Foi um momento que a Andréa quietinha, comportada, quis romper barreiras novamente. Sempre fui assim. Quis ser surfista e minha mãe era bailarina. Quando fui ao Circuito Mundial falei com minha mãe e ela sempre falou, filha estou sempre com você. Quando veio a Playboy perguntei novamente para ela. Mãe o que faço? Vou ficar pelada? E novamente ela respondeu: Filha estou com você no que fizer. Ela é meu exemplo. Ali, na Playboy, seria a única pessoa para me vetar. Esse ensaio foi um marco na minha vida. Foram fotos mais de atitude com sensualidade. Foi diversão o tempo todo. Mas foi aquele momento, não faria de novo.

Por quê?

Estou mais quieta

Ainda sobre a anorexia, você tem consciência do que te levou a chegar a esse quadro grave? Como foi essa fase?

Eu sempre fui muito pelo perfeccionismo, o extremismo. A anorexia, na verdade, quando o pessoal fala de comida, é uma consequência. Tem outras características muitos fortes, uma vida totalmente anti-social. Você não aceita nem sair para jantar, não namora, fica no seu mundo, entra numa bad trip total. Fiquei assim dois anos. Eu vejo como um hiato da minha vida, um lugar vazio. Quando falo dessa Andréa, é uma pessoa que aprendeu muito, mas ficou lá atrás. Era uma pessoa rígida, que foi ao extremo para conseguir uma coisa.

Como venceu a doença?

Comecei a enxergar a vida e o surf de outra maneira. Por força maior, fui obrigada a parar de competir, não fui ao Havaí. O primeiro passo foi um puxão da minha mãe. Ela falou com os patrocinadores que eu não ia mais viajar. E eles mandaram eu me cuidar. Ali foi meio que um baque. Eles já estavam me tirando do meu maior sonho, que era o Circuito Mundial. Vi que tudo dependia de mim. Comecei a ler, ter conscientização de que eu tinha de me recuperar, por mim mesma, e resgatar novamente os prazeres de vida. De sair, me divertir, comer um doce. Eu estava muito rígida, muito seca. Parece que o mundo fica preto e branco. Começa a descartar todos. Foi em 94, tinha 21 anos.

Hoje você tem uma consciência total de como agir?

Você não precisa ser extremista, abrir mão de muitas coisas para conseguir um objetivo. Tem de usar o seu emocional e racional. Anorexia é uma consequência do meu perfeccionismo daquela época. Me levou a achar que o mundo era preto e branco. Me levou ao buraco. Parei de competir o circuito mundial, comecei a repensar o prazer de surfar. Tem de dividir entre a obrigação e o prazer. Não pode perder a essência.

Emociona falar da anorexia?

Eu acho que é outra Andréa (voz embargada). É engraçado isso.

E a volta por cima? Esperava voltar assim, estar no topo novamente?

Parece que todos os momentos aconteceram na hora certa.

Entre os momentos que mostram o seu retorno está a vitória no WCT em 99. Qual foi a sensação de vencer em casa e ser a primeira brasileira nessa situação?

Foi sensacional. Estava de prancha velha, não corrida mais o tour e estava acima do meu peso. Fui convidada de última hora para este evento, me encontrei com todas as amigas que competiram comigo. No sábado, o Mark Occhilupo foi campeão e à noite fui para a festa dele. Nunca fui dormir às três da manhã. No dia seguinte acordei e ganhei. Só sentei na prancha e fiquei cinco minutos agradecendo e a minha vida passando. Em cinco minutos passou tudo. Saí da água e minha família estava toda na praia. Saí com esse aprendizado de que não precisa ir ao extremo para conseguir as coisas. Só ter jeito, inteligência, estar timming e aproveitar a oportunidade. Marcou até hoje.

Na sua idade, a maioria já pensa na aposentadoria. Como é enfrentar meninas com menos da metade da sua idade? Ainda compete com a mesma força?

Eu tenho muita energia, conhecimento, inteligência. Cada título que eu ganho eu incluo um ingrediente. Primeiro é a raça, estratégia, hoje posso falar muito da minha inteligência dentro d’água. Eu penso muito, procuro me conectar direto com o mar. Eu acho que não é só surfar. Na parte técnica a maioria está no mesmo nível. Tem duas ou três que se destacam, mas se tiver uma parte psicológica forte, se tiver inteligência para competir, consegue qualquer coisa. Fora d’água todas são minhas amigas. Brinco com todas. Chega dentro no mar, eu olho com cara feia. Sou uma das mais difíceis de competir. Sou estratégica. Estou observando as ondas duas horas antes de competir. Acabo me adequando ao mar. Essa questão de veterana, eu fico até rindo.

Acha engraçado?

Realmente falei iria parar de competir quando fosse tetracampeã brasileira. Aí, fui tetra e ganhei uma injeção de querer mais e mais. Não para provar se fui melhor ou pior do que alguém, mas porque eu gosto de competir. Me estimula. Gosto de focar, ter objetivo e conseguir aquilo. Eu sempre consegui tudo o que eu quis, graças a Deus, e quando falam essa questão de veterana eu até brinco e falo que quando o Kelly (Slater) parar, eu paro também. Apesar de ele ser dois anos mais velho do que eu, quando ele encher o saco, de repente será o momento que eu vou encher também. O cara está arrebentando, botando o pessoal da nova geração a ver navios. Eu nunca me senti tão bem em relação a tudo.

O que é preciso para se manter no topo?

Tem de estar preparada psicologicamente, fisicamente, tecnicamente. Hoje em dia minha vida é totalmente estruturada. O surf está ficando cada vez mais veloz, mais atual. E eu tenho toda a consciência de que preciso ter, cada vez mais, velocidade. Minha resposta muscular já é mais lenta, então tem de fazer todo um trabalho por fora. Enquanto elas ficam três quatro horas surfando, eu também fico, mas tenho de fazer força muscular.

O que fazer a mais para chegar ao penta?

Observar bastante e entrar em conexão com o mar. Por fora, no dia a dia, um trabalho físico forte. Estar sempre buscando velocidade no surf, porque o decorrer dos anos você vai perdendo velocidade e as articulações vão gritando um pouco mais. Então, para estar em condições de igualdade, tem de ter algo mais. Eu faço um trabalho de força, agilidade e leveza. Um surfista hoje precisa ser forte, ágil e leve. Eu tenho que o meu conhecimento do mar, a estratégia de competição. Sempre entro com duas estratégias na bateria e só desisto quando a sirene toca (anunciando o final). Se eu ganho ou perco eu saio da mesma forma do mar. Nunca vai me ver de forma diferente. Para elas ganharem terão de rebolar. Eu também, mas elas mais.

Citou a inteligência para competir como um dos fatores principais e carrega um pingente de um trevo de quatro folhas. A sorte conta muito?

Sim, claro. Eu tenho esse trevo desde criança. Mas da metade da bateria eu passo orando e sempre pedindo a Deus mandar uma (onda) certa. Eu consigo enxergar a onda antes dela vir. Começa a movimentar o mar eu já estou posicionada. Isso é intuição, é sensibilidade. Acho que é com todas essas ferramentas é que eu vou em busca do pentacampeonato.

Você falou que o ingresso na AntiQueda está entre os cinco ou seis melhores momentos da carreira, mas qual foi o maior?

O grande momento ainda está para vir, o pentacampeonato e comemorar junto com a AntiQueda.

Como é ser exemplo e ter ajudado no crescimento do surf feminino?

Eu não consigo pensar muito como a responsável. Eu sinto quando vem uma menininha falar comigo, eu recebo um e-mail, eu paro e me toco. Sei que tenho um papel importante nisso tudo e agora está ficando muito forte em mim, porque tenho muito essa coisa de não querer passar mensagem só para quem surfa, mas para quem não surfa. Eu quero mais, mais e mais. Seja ganhando campeonato, sendo dublê de novela, ajudando uma menina nova a surfar, de qualquer forma. Fazer mais e mais pelo surf, pelo crescimento do esporte.

Agora, com o patrocínio da AntiQueda, tem algo mais que quer?

Aprontar bastante (risos). Estou num dos melhores momentos de vida, psicológica e fisicamente. Querendo agitar. Servir de exemplo e que as mães falem: Caramba! Quero que a minha filha seja surfista.

O que é o surf?

Surf é a minha vida!

PERFIL DE ANDRÉA LOPES:

Melhor momento ? Vitória no WCT de 1999

Pior momento ? Quando tirei o ombro do lugar, na Inglaterra (91)

Melhor onda ? Maldivas

Sonho ? Pentacampeonato Brasileiro Profissional

Família ? Ser mãe (quando parar de competir)

Ídolo no surf ? Kelly Slater

Ídolo no esporte ? Ayrton Senna

Ídolo na vida ? Minha mãe (Mara)

Comida ? Prato combinado do Spoleto e japonesa

Bebida ? Água

Se não fosse surfista ? Triatleta

Hobby ? ler

Tipo de Leitura ? Educação Financeira, biografia de pessoas famosas, auto-ajuda

O que vê na TV ? jornal

Som ? New Age

Quando não tem onda… ? malhar, nadar

Outro esporte ? Futevôlei, natação

Fé ? Deus

Principais títulos – Pentacampeã brasileira amadora, tetracampeã brasileira profissional (99, 2001, 2002 e 2006), campeã pan-americana em 99, primeira brasileira e única wild card no Mundo a vencer etapa do WCT – Rio de Janeiro/99, top 16 – 12ª colocada no Circuito Mundial Profissional, em 93, e capa da Playboy (risos)

Patrocínio – AntiQueda

Co-patrocínios ? Lui Lui, Central Surf, Hot Buttered, Freestyle, Spoleto, Rhyno Foam e Hennek


Conheça um pouco mais de Andréa Lopes
Considerada o grande nome do surf brasileiro feminino e responsável por abrir as portas para a categoria, desde o início dos anos 90, Andréa Lopes tem 34 anos e desde os 13 é surfista. Antes, era nadadora e competia pelo Flamengo, tendo como especialidade os 100 metros livre (1min07s).

Aprendeu a surfar em Saquarema, com uma prancha monoquilha 7?6. Começou a competir aos 14 e logo na primeira temporada foi campeã brasileira amadora. Aos 17 anos, em 991 competiu na Austrália e então decidiu disputar o Circuito Mundial da ASP, atuando numa categoria, que no Brasil só existia como amadora.

De 91 a 94 viajou pelos quatro cantos do planeta, para competir, filmar, fotografar e, claro, surfar as melhores ondas, em lugares paradisíacos. Chegou a importante 12ª colocação no ranking mundial, entrando para o seleto grupo das top 16. O próximo passo era chegar entre as oito melhores, mas a pressão da rotina rígida de treinos a atrapalhou e ela desenvolveu um quadro de anorexia, que desestabilizou por dois anos.

Deu a volta por cima e em 99, teve um dos maiores feitos dentro da categoria, sendo a primeira brasileira a vencer uma etapa do Circuito Mundial. Atualmente compete somente no Brasil, sendo top do Super Surf. É a única tetracampeã brasileira profissional. Outra conquista única foi a participação no longa-metragem ?Surf Adventure?. Outro momento especial foi a capa da Revista Playboy, em janeiro de 2007, levando o surf, sua beleza e saúde em lindas fotos.

Para saber mais sobre a AntiQueda, visite o site www.antiqueda.com.