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Postado por Equipe AntiQueda em Blog

SURF STORE, HOT WATER E STHILL ESTARÃO JUNTAS EM PARCERIA COM O SISTEMA A TRIBUNA DE COMUNICAÇÃO NO EVENTO EM SANTOS

As três principais surf shops de Santos estarão unidas com o Sistema A Tribuna de Comunicação em prol do surf. A parceria foi ?selada? nesta segunda-feira (dia 1º) em reunião envolvendo os diretores da Surf Store, Marcelo Morais, da Hot Water, Galvão Viana, e da Sthill, Mário Moreira, com o diretor presidente da TV Tribuna, Roberto Clemente Santini, para oficializar o patrocínio ao 2º Festival A Tribuna de Longboard Pioneiros do Litoral Paulista, em Santos.

O evento será realizado de 10 a 14, sendo os dois últimos dias um campeonato em clima de confraternização, na Praia do José Menino, reunindo atletas que fazem parte da história da modalidade. Antes de surfar, os pioneiros terão atividades como a homenagem aos shapers, no dia 10, e uma sessão de cinema, no dia 11.

Pela primeira vez na história, as três empresas estarão juntas no patrocínio principal de um campeonato de surf. ?Já apoiamos diversas competições, em ações com algumas marcas. Desta vez, unimos as forças para ajudar o surf santista, reverenciar aqueles que iniciaram a essa trajetória do nosso esporte?, disse Marcelo Morais.

?Para mim é uma honra. A Sthill e Hot Water são ícones no País, referências, tradição. Fui cliente dos dois por anos resolvi seguir o caminho que eles trilham com tanto sucesso?, acrescentou o diretor da Surf Store, que está no mercado há 11 anos e tem como destaque a Casa da Praia, uma loja conceito.

No encontro, que também teve a importante presença de Fuad Mansur, considerado uma lenda no mundo do surf, representando os pioneiros, foram discutidas várias ações, além do evento, para fortalecer a modalidade. Entre elas, o apoio total ao Emissário Submarino (Quebra-Mar), que está em fase final de reurbanização e ganhará equipamentos voltados ao surf e skate, para uso da comunidade.

Roberto Santini, que é surfista, destacou a importância dessa união e dos benefícios que devem gerar. ?Eles têm história, estão interessados, empenhados em colaborar para o bem do surf. Teremos novas reuniões para criar iniciativas que ajudem a todos?, disse Santini.

Mário Moreira, da Sthill, frisou que a união certamente renderá benefícios aos atletas e ao público. ?Essa parceria vale muito e é bom para o esporte. É uma união pelo surf?, relatou o diretor da Sthill, que tem 26 anos de história.

Para Galvão Viana, da Hot Water, a união representa o futuro. ?Os três são apaixonados pelo esporte. Estamos há muitos anos vivendo isso e queremos ajudar. Esse evento representará muito. Vamos abraçar o Quebra-Mar, nós três e A Tribuna e espero que toda a comunidade apóie?, complementou empresário da Hot Water, com 20 anos de ?estrada?.

PIONEIRO – Fuad também elogiou a iniciativa. ?Temos de privilegiar as lojas, os empresários da nossa cidade. Com certeza, eles têm muito a contribuir e isso será benéfico?, argumentou Fuad, um autêntico pioneiros do surf.

Junto com os irmãos Wadhy e Elias, tomou contato com a modalidade e a adotou como estilo de vida ainda na década de 60. ?Em 1969 eu tinha 15 anos e o Wadhy estava com 16. Fomos para o Rio de Janeiro e até 1972 lutamos para abrir uma loja. Aí tivemos a Mansurf em Ipanema e passamos a viver do surf. Eram outros tempos. Sempre defendi a lei backstyle, que é a lei da consciência tranquila, do mínimo esforço?, recordou.

?Era a fase do AI-5 e minha mãe, que era uma pessoa intelectual, poliglota, dizia: é melhor ficar na praia surfando do que levar borrachada da polícia, ser preso e torturado?, descreveu Fuad. Entre idas e vindas – e viagens pelo mundo surfando – os irmãos montaram uma loja Black Trunk na galeria do Arpoador e lojas da Lightning Bolt em Santos.

40 PARA CIMA ? O 2º Festival A Tribuna de Longboard Pioneiros do Litoral Paulista contará com quatro categorias, exclusivas para os quarentões em diante (abaixo disso, só como espectador) ? 40 a 45, 46 a 49, 50 a 54 e 55 para cima. Fora do mar, a programação começa antes. No dia 10, a partir das 19h, os atletas participantes e suas famílias estarão reunidos na Surf Store Casa da Praia, na Ponta da Praia, para homenagear os profissionais que produzem as pranchas, numa iniciativa da Reef.

Já no dia 11, a New Advance e o Cine Roxy, no Gonzaga, promoverão uma sessão de cinema para os amantes do longboard, com entrada gratuita a todos os competidores e familiares. O evento tem o apoio da Prefeitura de Santos, da TV Tribuna e da Federação Paulista de Surf. Mais informações pelo telefone (13) 3227.9577 ou pelo e-mail surfstore@surfstore.com.br.

Postado por Equipe AntiQueda em Blog


Classificada pela própria surfista como uma união de forças em busca do pentacampeonato, a tetracampeã brasileira de surf profissional, Andréa Lopes, agora faz parte da equipe AntiQueda. A surfwear 100% nacional, que completa 19 anos de história em 2008, investirá na imagem do maior símbolo de vitória do surf feminino brasileiro, apostando em grandes conquistas dentro e fora do mar.

O contrato de patrocínio principal – por dois anos e meio – acaba de ser assinado e Andréa já competirá na 2ª etapa do Super Surf, em Pernambuco, defendendo a nova marca. Ocupando a terceira posição no ranking, ela não esconde que seu grande objetivo é chegar ao penta, superando o seu próprio recorde, sendo a única atleta a acumular tantos títulos no País. Pioneira na categoria e responsável por ?abrir? as portas para o surf feminino na década de 90, ela mostra entusiasmo para novas conquistas.

?Para mim, esse patrocínio foi mais do que um presente. Tenho conhecimento do trabalho da AntiQueda no patrocínio ao Circuito Petrobras Feminino, que é um evento bem conceituado, único no mundo inteiro. Na minha vida fui muito focada nos objetivos, sempre tive um norte seguindo alguma meta e essa oportunidade foi uma injeção de motivação para uma atleta que já é movida a títulos?, frisou.

?Encaro essa parceria como um grande impulso para buscar esse pentacampeonato e fazer todo um trabalho, não só dentro d’água, mas fora do mar, o que acho que todas as atletas deveriam se preocupar também?, acrescentou a atleta de 34 anos e que garantiu o seu primeiro título (Brasileiro Amador) há 20 anos.

Desde então, ela sempre esteve em evidência e garantiu muitas conquistas à categoria. Foi pentacampeã brasileira amadora, é a única tetracampeã brasileira profissional, foi a primeira a ingressar no Circuito Mundial, em 1991, aos 17 anos, e a primeira brasileira a vencer uma etapa do WCT (Rio de Janeiro, em 99). Outro momento de destaque foi a capa da Revista Playboy, em janeiro de 2007.

Para o diretor da AntiQueda, Paulo Sérgio Nogueira Lopes, o Paulinho, a contratação de Andréa é consagração para a empresa. ?É uma realização para qualquer empresa ter uma atleta do porte da Andréa. Ela veio consagrar o nosso trabalho de 19 anos, É a coroa que a gente recebe por ter trabalhado certo?, frisou Paulinho, destacando que a idéia é um trabalho amplo, não só pensando em campeonatos.

?Ela é um exemplo e estamos conversando dela ter uma linha de produtos especializados em surf com a sua assinatura. Então, ela ajudará na aprovação, no design. Vamos priorizar o calendário de competição, mas ela terá participação especial nas nossas ações, como participar dos catálogos de coleções, palestras nos nossos meetings e tardes de autógrafos. A contratação da Andréa vai agregar muito. Ela será a nossa verdadeira piloto de testes?, argumentou.

INVESTIMENTO – Com 19 anos de história, a AntiQueda está presente em 650 pontos de venda em todo o País e também exporta para a Europa (Portugal e Itália) e Japão. A contratação de Andréa reforça a estratégia da marca no investimento na categoria. Pelo quarto ano consecutivo, a AntiQueda é a surfwear oficial do Circuito Petrobras de Surfe Feminino, único exclusivo para mulheres do Mundo.

Além do co-patrocínio ao evento, a empresa inovou, com a realização de uma expression session, bateria sem regras, valendo a manobra mais radical, com R$ 1.000,00 de premiação. Outra ação muito forte da AntiQueda é o patrocínio principal do Circuito A Tribuna de Surf Colegial, desde a sua criação, em 96. O maior e mais tradicional campeonato do gênero já revelou grandes talentos, como Adriano de Souza, o Mineirinho.

?Esta é outra conquista nossa e veio de uma grande idéia do Grupo A Tribuna. O surf colegial acabou com o estigma de outras gerações. Antes existia a descriminação com o surfista. Com este evento, conseguimos colocar o esporte na escola. Hoje, qualquer pai quer dar uma prancha ao seu filho, porque se ele for um bom atleta terá estudos garantidos até a faculdade. Estudará de graça por ser um bom surfista?, destacou Paulinho.

ACOMPANHE ENTREVISTA COM ANDRÉA LOPES:

Com 21 anos de história no surf, Andréa Lopes é um ícone na modalidade. Neste ano, a prioridade é igualar, no profissional, a marca de cinco títulos nacionais conquistados como amadora. Em sua entrevista, a atleta fala de vários momentos de sua carreira, como a exemplar vitória contra a anorexia, quando estava entre as top 16 no Circuito Mundial, e a volta por cima, culminando com a capa da Playboy. Conheça mais dessa surfista exemplar:

Qual a importância de um novo patrocínio neste estágio da sua carreira?

Com certeza essa contratação está entre os cinco ou seis melhores momentos da minha carreira, sem dúvida. Sei que terei suporte. Eu sinto como se juntando duas forças no mesmo objetivo e, principalmente, na meta de mostrar que o surf é um esporte muito rico em saúde, em cultura, em vida. Ganhei uma injeção de motivação e só posso falar que estou muito feliz.

O objetivo é tentar o penta e, mais uma vez, ser pioneira?

Sim, é o pentacampeonato. Quero bater o meu próprio recorde. E essa questão do pioneirismo é bem interessante na minha cabeça, porque a melhor surfista sempre muda. Um ano é uma, outro ano é outra. Só que o pioneirismo ninguém tira de você. Se é o primeiro a lançar algo ou vencer, fica na história e nunca mais perde isso. Então, estamos juntando as forças. A vibe de todos da AntiQueda é muito positiva e quero, realmente, comemorar essa conquista com eles. Além disso, quero fazer outras coisas fora da praia ou do mundo do surf, que possa estar otimizando essa parceria.

No projeto de vida fora do mar, você tem novas idéias, como filme, exposição. Conta um pouco mais.

Eu tenho a minha vida inteira documentada em fotos, entrevistas, imagens, desde gurizinha, e hoje em dia é o maior barato ver. Quando ensino uma menina a surfar, estou revivendo este início e quero, de alguma forma, fazer uma exposição. Não sei se esse ano ou no próximo, mas será num momento chave e quando der no calendário, contando um pouco da minha história, através das fotos, da poesia, porque acho bem legal estar ligando a poesia, uma expressão de arte, ao surf. Será uma exposição pelo Brasil, itinerante. Também tem o meu longa-metragem, que já foi aprovado pela Lei de Incentivo e está bem direcionado. Está até com o Dilert, produtor da Globo Filmes. Não será bem um filme de surf. É um pouco da história do surf feminino contado através da minha história. E ainda tem as palestras que quero retomar em escolas e a idéia e estar participando mais com a galera da AntiQueda, não só em workshops, para estar passando a minha experiência.

A idéia é mostrar o surf para todos?

Eu vivo do surf, respiro o surf e eu amo surfar. Meu trabalho é muito mais do que a competição. É influenciar as pessoas que não surfam a mostrar o life style saudável, o que se pode ter em termos de aprendizado para a vida, o que se pode carregar de bagagem de cultura. Tudo o que o surf colocou na minha casa, na minha vida, eu quero mostrar para a pessoas que não pegam onda e, cada vez mais, desmistificar que é um esporte boa vida, que só fica na praia. Não é! Tem muita coisa por trás para ser uma surfista profissional. Meu objetivo não é só o pentacampeonato. São vários outros e até fora do mundo do surf. É uma mãe falar quero que meu filha seja surfista igual a ela.

Você é conhecida por romper barreiras. Foi campeã muito nova, aos 14 anos, ingressou no Circuito Mundial aos 17, conseguiu vencer a anorexia, dar a volta por cima e ser um ícone do surf. Como é essa garra, essa vontade de sempre se superar?

As palavras são exatamente essas: vontade, garra. A vida é sempre muito cheia de surpresas, de altos e baixos, de momentos em que uma coisa está boa e outra ruim. Mas eu nunca perdi o meu foco e o sentimento que está cada vez mais forte mim é a humildade. O caminho que te leva ao sucesso, a uma coisa plena é um só. Pode ser até sem graça, mas é um só e basta apenas ir caminhando. É preciso caminhar no foco, crescer junto com as pessoas que estão comigo. Quero fidelizar, criar parcerias. Para conquistar, você demora um tempo, até anos, para perder, basta apenas uma atitude.

Foram dois momentos antagônicos na sua vida, a anorexia, que a tirou do Circuito Mundial, e a capa da Playboy, um símbolo da beleza da mulher para muita gente. Como foram essas duas fases?

A anorexia é um momento muito muito estranho. A mulher se esconde. Ela fica totalmente sem curvas, quer viver um mundo diferente, escuro. Ali eu vi que Deus me tirou dali e mostrou que eu tenho muita vida, muita mensagem para passar. Depois de tudo o que passei, consegui sair daquele buraco e vi que tinha muita coisa para viver. E eu sinto que tenho essa missão de passar mensagem de vida, de tocar o coração das pessoas, de falar algo que lá na frente a pessoa vai refletir. E aí veio a Playboy. Foi um momento que a Andréa quietinha, comportada, quis romper barreiras novamente. Sempre fui assim. Quis ser surfista e minha mãe era bailarina. Quando fui ao Circuito Mundial falei com minha mãe e ela sempre falou, filha estou sempre com você. Quando veio a Playboy perguntei novamente para ela. Mãe o que faço? Vou ficar pelada? E novamente ela respondeu: Filha estou com você no que fizer. Ela é meu exemplo. Ali, na Playboy, seria a única pessoa para me vetar. Esse ensaio foi um marco na minha vida. Foram fotos mais de atitude com sensualidade. Foi diversão o tempo todo. Mas foi aquele momento, não faria de novo.

Por quê?

Estou mais quieta

Ainda sobre a anorexia, você tem consciência do que te levou a chegar a esse quadro grave? Como foi essa fase?

Eu sempre fui muito pelo perfeccionismo, o extremismo. A anorexia, na verdade, quando o pessoal fala de comida, é uma consequência. Tem outras características muitos fortes, uma vida totalmente anti-social. Você não aceita nem sair para jantar, não namora, fica no seu mundo, entra numa bad trip total. Fiquei assim dois anos. Eu vejo como um hiato da minha vida, um lugar vazio. Quando falo dessa Andréa, é uma pessoa que aprendeu muito, mas ficou lá atrás. Era uma pessoa rígida, que foi ao extremo para conseguir uma coisa.

Como venceu a doença?

Comecei a enxergar a vida e o surf de outra maneira. Por força maior, fui obrigada a parar de competir, não fui ao Havaí. O primeiro passo foi um puxão da minha mãe. Ela falou com os patrocinadores que eu não ia mais viajar. E eles mandaram eu me cuidar. Ali foi meio que um baque. Eles já estavam me tirando do meu maior sonho, que era o Circuito Mundial. Vi que tudo dependia de mim. Comecei a ler, ter conscientização de que eu tinha de me recuperar, por mim mesma, e resgatar novamente os prazeres de vida. De sair, me divertir, comer um doce. Eu estava muito rígida, muito seca. Parece que o mundo fica preto e branco. Começa a descartar todos. Foi em 94, tinha 21 anos.

Hoje você tem uma consciência total de como agir?

Você não precisa ser extremista, abrir mão de muitas coisas para conseguir um objetivo. Tem de usar o seu emocional e racional. Anorexia é uma consequência do meu perfeccionismo daquela época. Me levou a achar que o mundo era preto e branco. Me levou ao buraco. Parei de competir o circuito mundial, comecei a repensar o prazer de surfar. Tem de dividir entre a obrigação e o prazer. Não pode perder a essência.

Emociona falar da anorexia?

Eu acho que é outra Andréa (voz embargada). É engraçado isso.

E a volta por cima? Esperava voltar assim, estar no topo novamente?

Parece que todos os momentos aconteceram na hora certa.

Entre os momentos que mostram o seu retorno está a vitória no WCT em 99. Qual foi a sensação de vencer em casa e ser a primeira brasileira nessa situação?

Foi sensacional. Estava de prancha velha, não corrida mais o tour e estava acima do meu peso. Fui convidada de última hora para este evento, me encontrei com todas as amigas que competiram comigo. No sábado, o Mark Occhilupo foi campeão e à noite fui para a festa dele. Nunca fui dormir às três da manhã. No dia seguinte acordei e ganhei. Só sentei na prancha e fiquei cinco minutos agradecendo e a minha vida passando. Em cinco minutos passou tudo. Saí da água e minha família estava toda na praia. Saí com esse aprendizado de que não precisa ir ao extremo para conseguir as coisas. Só ter jeito, inteligência, estar timming e aproveitar a oportunidade. Marcou até hoje.

Na sua idade, a maioria já pensa na aposentadoria. Como é enfrentar meninas com menos da metade da sua idade? Ainda compete com a mesma força?

Eu tenho muita energia, conhecimento, inteligência. Cada título que eu ganho eu incluo um ingrediente. Primeiro é a raça, estratégia, hoje posso falar muito da minha inteligência dentro d’água. Eu penso muito, procuro me conectar direto com o mar. Eu acho que não é só surfar. Na parte técnica a maioria está no mesmo nível. Tem duas ou três que se destacam, mas se tiver uma parte psicológica forte, se tiver inteligência para competir, consegue qualquer coisa. Fora d’água todas são minhas amigas. Brinco com todas. Chega dentro no mar, eu olho com cara feia. Sou uma das mais difíceis de competir. Sou estratégica. Estou observando as ondas duas horas antes de competir. Acabo me adequando ao mar. Essa questão de veterana, eu fico até rindo.

Acha engraçado?

Realmente falei iria parar de competir quando fosse tetracampeã brasileira. Aí, fui tetra e ganhei uma injeção de querer mais e mais. Não para provar se fui melhor ou pior do que alguém, mas porque eu gosto de competir. Me estimula. Gosto de focar, ter objetivo e conseguir aquilo. Eu sempre consegui tudo o que eu quis, graças a Deus, e quando falam essa questão de veterana eu até brinco e falo que quando o Kelly (Slater) parar, eu paro também. Apesar de ele ser dois anos mais velho do que eu, quando ele encher o saco, de repente será o momento que eu vou encher também. O cara está arrebentando, botando o pessoal da nova geração a ver navios. Eu nunca me senti tão bem em relação a tudo.

O que é preciso para se manter no topo?

Tem de estar preparada psicologicamente, fisicamente, tecnicamente. Hoje em dia minha vida é totalmente estruturada. O surf está ficando cada vez mais veloz, mais atual. E eu tenho toda a consciência de que preciso ter, cada vez mais, velocidade. Minha resposta muscular já é mais lenta, então tem de fazer todo um trabalho por fora. Enquanto elas ficam três quatro horas surfando, eu também fico, mas tenho de fazer força muscular.

O que fazer a mais para chegar ao penta?

Observar bastante e entrar em conexão com o mar. Por fora, no dia a dia, um trabalho físico forte. Estar sempre buscando velocidade no surf, porque o decorrer dos anos você vai perdendo velocidade e as articulações vão gritando um pouco mais. Então, para estar em condições de igualdade, tem de ter algo mais. Eu faço um trabalho de força, agilidade e leveza. Um surfista hoje precisa ser forte, ágil e leve. Eu tenho que o meu conhecimento do mar, a estratégia de competição. Sempre entro com duas estratégias na bateria e só desisto quando a sirene toca (anunciando o final). Se eu ganho ou perco eu saio da mesma forma do mar. Nunca vai me ver de forma diferente. Para elas ganharem terão de rebolar. Eu também, mas elas mais.

Citou a inteligência para competir como um dos fatores principais e carrega um pingente de um trevo de quatro folhas. A sorte conta muito?

Sim, claro. Eu tenho esse trevo desde criança. Mas da metade da bateria eu passo orando e sempre pedindo a Deus mandar uma (onda) certa. Eu consigo enxergar a onda antes dela vir. Começa a movimentar o mar eu já estou posicionada. Isso é intuição, é sensibilidade. Acho que é com todas essas ferramentas é que eu vou em busca do pentacampeonato.

Você falou que o ingresso na AntiQueda está entre os cinco ou seis melhores momentos da carreira, mas qual foi o maior?

O grande momento ainda está para vir, o pentacampeonato e comemorar junto com a AntiQueda.

Como é ser exemplo e ter ajudado no crescimento do surf feminino?

Eu não consigo pensar muito como a responsável. Eu sinto quando vem uma menininha falar comigo, eu recebo um e-mail, eu paro e me toco. Sei que tenho um papel importante nisso tudo e agora está ficando muito forte em mim, porque tenho muito essa coisa de não querer passar mensagem só para quem surfa, mas para quem não surfa. Eu quero mais, mais e mais. Seja ganhando campeonato, sendo dublê de novela, ajudando uma menina nova a surfar, de qualquer forma. Fazer mais e mais pelo surf, pelo crescimento do esporte.

Agora, com o patrocínio da AntiQueda, tem algo mais que quer?

Aprontar bastante (risos). Estou num dos melhores momentos de vida, psicológica e fisicamente. Querendo agitar. Servir de exemplo e que as mães falem: Caramba! Quero que a minha filha seja surfista.

O que é o surf?

Surf é a minha vida!

PERFIL DE ANDRÉA LOPES:

Melhor momento ? Vitória no WCT de 1999

Pior momento ? Quando tirei o ombro do lugar, na Inglaterra (91)

Melhor onda ? Maldivas

Sonho ? Pentacampeonato Brasileiro Profissional

Família ? Ser mãe (quando parar de competir)

Ídolo no surf ? Kelly Slater

Ídolo no esporte ? Ayrton Senna

Ídolo na vida ? Minha mãe (Mara)

Comida ? Prato combinado do Spoleto e japonesa

Bebida ? Água

Se não fosse surfista ? Triatleta

Hobby ? ler

Tipo de Leitura ? Educação Financeira, biografia de pessoas famosas, auto-ajuda

O que vê na TV ? jornal

Som ? New Age

Quando não tem onda… ? malhar, nadar

Outro esporte ? Futevôlei, natação

Fé ? Deus

Principais títulos – Pentacampeã brasileira amadora, tetracampeã brasileira profissional (99, 2001, 2002 e 2006), campeã pan-americana em 99, primeira brasileira e única wild card no Mundo a vencer etapa do WCT – Rio de Janeiro/99, top 16 – 12ª colocada no Circuito Mundial Profissional, em 93, e capa da Playboy (risos)

Patrocínio – AntiQueda

Co-patrocínios ? Lui Lui, Central Surf, Hot Buttered, Freestyle, Spoleto, Rhyno Foam e Hennek


Conheça um pouco mais de Andréa Lopes
Considerada o grande nome do surf brasileiro feminino e responsável por abrir as portas para a categoria, desde o início dos anos 90, Andréa Lopes tem 34 anos e desde os 13 é surfista. Antes, era nadadora e competia pelo Flamengo, tendo como especialidade os 100 metros livre (1min07s).

Aprendeu a surfar em Saquarema, com uma prancha monoquilha 7?6. Começou a competir aos 14 e logo na primeira temporada foi campeã brasileira amadora. Aos 17 anos, em 991 competiu na Austrália e então decidiu disputar o Circuito Mundial da ASP, atuando numa categoria, que no Brasil só existia como amadora.

De 91 a 94 viajou pelos quatro cantos do planeta, para competir, filmar, fotografar e, claro, surfar as melhores ondas, em lugares paradisíacos. Chegou a importante 12ª colocação no ranking mundial, entrando para o seleto grupo das top 16. O próximo passo era chegar entre as oito melhores, mas a pressão da rotina rígida de treinos a atrapalhou e ela desenvolveu um quadro de anorexia, que desestabilizou por dois anos.

Deu a volta por cima e em 99, teve um dos maiores feitos dentro da categoria, sendo a primeira brasileira a vencer uma etapa do Circuito Mundial. Atualmente compete somente no Brasil, sendo top do Super Surf. É a única tetracampeã brasileira profissional. Outra conquista única foi a participação no longa-metragem ?Surf Adventure?. Outro momento especial foi a capa da Revista Playboy, em janeiro de 2007, levando o surf, sua beleza e saúde em lindas fotos.

Para saber mais sobre a AntiQueda, visite o site www.antiqueda.com.