
Oi pessoal, como foram de semana?
Hoje quero mostrar pra vocês uma matéria IRADA que saiu na Revista Sul Sport, umas das revistas mais vistas aqui no Sul em matéria de esporte. Foi uma entrevista bem maneira com a Rafaela Malucelli, onde contei um pouco sobre meus dias atuais.
Por Rafaela MalucelliFotos: Sílvia Martinez Rosa
Andar sobre a água. Desse sonho de menino, que queria fazer igual a Deus, surgiu um dos maiores surfistas do nosso país: Peterson Rosa. Ídolo de gerações. Pioneiro. O “Bronco”, como foi apelidado pela maneira agressiva como encara seus desafios. Soma hoje 27 anos de praia e muito surfe. Foi o mais novo atleta brasileiro a se profissionalizar, aos 16 anos. Mesmo veterano, não larga a prancha, e é o mar que o faz ir cada vez mais longe.
Um monumento em formato de onda no Pico de Matinhos, cidade onde Peterson cresceu e conheceu o surfe, homenageia esse atleta que colocou o município paranaense no mapa. Três vezes campeão brasileiro e representante do país por 14 anos na elite do surfe mundial, teve oportunidades que muitos sonham, mas que precisou de muita batalha para sair de Matinhos e conquistar o mundo.
“Para mim tudo sempre foi muita batalha, desde um resultado até minha carreira! O surfe, para mim, foi sempre muita disciplina, foco, perseverança e vontade de vencer. Durante meus 14 anos, eu procurei me portar dessa maneira, para atingir minhas metas. A maioria dos atletas brasileiros, principalmente da minha geração, quando os campeonatos e patrocinadores não recompensavam financeiramente tão bem como hoje em dia, tiveram algumas dificuldades durante suas carreiras. Hoje o surfe é muito mais valorizado, sem preconceito, os atletas são bem remunerados, permitindo assim um futuro mais tranquilo”, conta Peterson.
Em sua melhor lembrança nesses anos de surfe está o começo de tudo. “Uma lembrança muito marcante em minha vida foi quando tudo começou, era criança ainda, tinha 10 anos de idade, havia ganhado um relógio de meu avô no dia das crianças. Pouco tempo depois, um amigo estava vendendo uma prancha de surfe superusada; foi quando cheguei com muita simplicidade e perguntei se ele trocaria o meu relógio pela prancha… A resposta foi positiva, e desde aquele momento nunca mais larguei o surfe na minha vida!”, relembra. Antes disso, a imaginação ia mais além: “Quando era pequeno, falava para minha mãe Iracema que queria fazer como Deus, andar sobre o mar”.
Peterson foi pioneiro no surfe paranaense ao se tornar atleta da elite mundial. Seguindo seu exemplo e das mesmas ondas de Matinhos vieram outros grandes nomes que hoje figuram na lista de grandes surfistas do mundo, como Jihad Kodhr, Bruna Schmidt e Peterson Crisanto. Este último recebeu o nome em homenagem ao próprio Peterson Rosa. “O Peterson Crisanto recebeu o meu nome, pois ele e meu afilhado, o pai dele, surfavam comigo em Matinhos; Urso [apelido de Crisanto] e eu estamos distantes no momento, devido a objetivos e metas diferentes”, conta, e confessa ter muito orgulho de ter começado essa história de sucesso no Paraná: “Fui responsável pelo começo da carreira desses três atletas, apoiando, patrocinando, procurando sempre passar para os três toda a experiência adquirida ao longo da minha carreira”.
Mesmo depois de tantos anos em cima da prancha, o gás do surfista parece não ter fim. Ele continua competindo, não pensa em parar e ainda desafia: “O surfe está no meu sangue, sou um competidor que gosta muito da adrenalina da competição, estou competindo campeonatos profissionais e campeonatos masters, vou incomodar muito ainda a nova geração [risos]”.
Além das competições, Peterson está à frente do projeto Ondas do Saber, que dá aulas práticas e teóricas de surfe para crianças do ensino público. “Estou tendo a oportunidade, juntamente com uma equipe de trabalho, de passar todo o meu conhecimento para as crianças do da rede municipal de ensino de Matinhos, por meio de aulas de surfe, com o apoio da Prefeitura de Matinhos e da AntiQueda. Um grande trabalho realizado, com muita satisfação!”. O projeto conta com micro-ônibus, motorista, vestiário, alimentação e piscinas, e fazem parte da equipe o coordenador de planejamento Samaroni Santos, o professor de Educação Física Anderson Silva, a pedagoga Luciana Mussoi e os surfistas instrutores Maicon Rosa, Sanderson Trevisan, Diego Chaves e Celso Junior.

Bate-papo com Peterson Rosa:
- Quatorze anos na elite do surfe mundial. Hoje como veterano, mais maduro, o que teria feito diferente e o que não mudaria?
R: Teria passado mais tempo no exterior, para falar melhor o inglês, o francês, etc., e ficar mais tempo ao lado dos tops daquela época, evoluindo mais ainda o meu surfe. Não deixaria de forma alguma de ter tido toda a dedicação que tive durante todos os meus anos de WCT.
- De lá pra, como você vê a evolução do surfe brasileiro?
R: O esporte está crescendo a cada ano, sendo valorizado, da maneira pela qual lutei muito durante meus anos de elite. Além disso, as manobras radicais e expressivas evoluíram durante esses anos, hoje vejo atletas brasileiros com nível de estrangeiros.
- O que falta para os nossos atletas irem mais longe?
R: Os nossos atletas estão chegando lá. Hoje, Adriano de Sousa, o “Mineirinho”, promete o tão sonhado título mundial, meu sonho de brasileiro e de atleta profissional. Ele é o terceiro melhor atleta do mundo, e sem dúvidas tem potencial e experiência para ser o número um.
- Como é ser um ídolo e um espelho para gerações?
R: Não sei se sou um ídolo ou um espelho para a nova geração. A única coisa que sei é que sempre procurei fazer o meu melhor, em minha vida e para todos que estão ao meu lado. Assim, sou uma pessoa realizada profissionalmente e na vida!
- Você e seu irmão Maicon Rosa fizeram a marca Brothers Rosa. Como anda essa parceria?
R: A Brothers Rosa foi um sonho realizado muitos anos atrás. Na época eu competia o WCT, não podendo me dedicar muito à marca, pois passava nove meses e meio do ano fora do Brasil. Por essa razão, resolvemos juntos adiar o projeto.
- Quem é o seu ídolo no surfe?
R: No cenário nacional, Fabio Gouveia, e no internacional, Mark Occhilupo.
- Melhor pico?
R: No Brasil, o “Pico de Matinhos”; no exterior, gosto muito da Austrália, rolam altas ondas.
- Melhor trip?
R: G-Land, na Indonésia.
- Melhor circuito?
Todos os eventos são importantes e bem preparados, desde o circuito brasileiro, atual WT, até os campeonatos regionais, etc.
- Melhor onda surfada?
R: Em Fiji, uma onda de oito pés.



